Para Sofia Widmer, Regina Valentim e Frederico Widmer
O charlamanismo das horas
à beira do riacho, cujas pedras divertem
e curam os estultos.
Águas sagradas esculpem esferas do bem.
Resgatam sonhos atávicos.
Desembaraçam os cabelos da tarde,
deitada
às margens de uma segunda-feira,
insana.
Quantos capítulos da história humana
serão necessários para que a paz
absoluta se instale no coração do homem?
A lua sangrenta do verão catapulta os sonhos para o próximo milênio.
Eternidade é bobagem para quem desfila na passarela da Via Láctea,
incólume, dando de ombros para os nossos degredos.
Em vão olharemos,
esperançosos
para as estrelas.
Não há descanso embaixo do sol.
Nem respostas.
Só os gatos são capazes de traduzir nosso desespero,
em gestos de areia.

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