"teu corpo fugitivo para sempre,o sangue de tuas veias em minha boca.tua boca já sem luz para minha morte".
Federico Garcia Lorca
O braço escuro da noite
me alcança pelos cabelos
e me faz descer as escadas escorregadias
do tempo:
- época de descascar cebolas
e chorar pela tua mesquinhez,
enclausurada
no bule frio da amargura.
Mil vezes disse sim, querendo dizer não:
agora é tarde, para sempre tarde.
Teu corpo esboroando-se em minhas mãos.
Na cama pétrea,
repousam os esqueletos
dos nossos sonhos.
Ilustra: Elena Schlegel

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