Nasce mais um livroblog meu, cujo título já estava fervilhando na minha cabeça há uns tres anos. Depois de muito procrastinar,resolvi tirá-lo do mundo "das idéias",como dizia Platão, ou mundo do demiurgo, e trazê-lo para o mundo real, ainda que virtual. Trata-se de uma seleção de 80 poemas surrealistas, com um toque de ironia, sarcasmo e provocação. Espero que você, querido leitor, aprecie-o sem moderação.
sábado, 23 de março de 2019
Sala dos arrependimentos
Banho-me nas águas essenciais dos mares primevos.
No desenrolar das eras, ouço pactos dos senhores feudais,
emparedados em molduras do tempo,
engarrafados nas lâmpadas dos gênios.
coleciono aparelhos de medir a pressão sanguínea dos sonhos.
Olhares nas janelas quebradas das tardes, me observam,
invejosos.
Azul é a sala dos arrependimentos.
Na casa do abandono, percorro os cômodos da ilusão,
do egoísmo, da vilania e da insensatez,
mãe de todas as crueldades humanas:
eis que encontro o amor,
de cócoras no chão da cozinha,
auscultando o coração das formigas,
desterradas do açucareiro.
Ilustra: Elena Schlegel
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