segunda-feira, 22 de julho de 2019

A longa espera







A longa espera.

                           Para Maria Beatriz,  Tarsila, Camila, Homero e Heráclito

 Atrás da porta, o destino e seu caderno de perfídias,
dá cordas no relógio da vida.
Um pouco mais de tempo
para a agonia das horas?
Um pouco menos?

Um bouquêt de hortênsias murchas.
Um regente bêbado e sua cantora lírica.
Uma cadela e seus filhotes famintos.

Os sonhos azuis manchando as paredes do quarto.



50º. Festival Internacional de Inverno
Campos do Jordão – SP.
22 de Julho de 2019



Tabuleiro de Deus





O amor derramado nos tempos do cólera.

De que era feita a sua vontade?

Argila, cinzas, água, desespero:
subterfúgios submersos num veio escuro?
Os sonhos escapando pelos furos da peneira.

E Deus quieto, se fazendo de tonto.

Deus escondido entre as engrenagens do tempo,
trabalhando no engate das peças,
tentando dar sentido ao tabuleiro
que ele mesmo criou.

Deus, teu outro nome é ingratidão.
Destempero.
Julgamento final.


Marisa Sevilha Rodrigues 


sábado, 6 de julho de 2019

Mandala





















a chuva lá fora caindo macia
no colo da tarde
abrigada em seu xale de mandalas.

pé ante pé, flutuo entre as poças dágua

fecho os olhos
e sigo o instinto  das abelhas,
em sua firme decisão
de abandonar as colmeias.






Fogueira da discórdia

"Recolher o dia com suas miudezas,
 deixadas na travessia".

 Patricia Claudine Hoffmann







Soltar as mãos atadas do tempo.

Abrir a tarrafa e atirá-la aos peixes azuis e voadores;
símbolos atávicos da fartura,
mas também da morte por agonia.



acender mais uma fogueira,
com os gravetos secos da discórdia.

Cobrir as costas da noite, com seu xale de mandalas;
tomar o chá de maçã delgadas;
preparar o atestado de dúvidas e contestações;
não optar entre certezas ou dogmas;
engatinhar-se para o útero da mãe
e engalfinhar-se com os irmãos, antes de seus nascimentos.
Reter o brotar das sementes, numa vã tentativa
de aniquilar toda dor vertida no mundo;
Calar o estrondo dos vulcões, sem impedir a chuva de lavas
sobre a terra;

Renovar-se na mansidão da madrugada,
quando todos os barcos apontam para o nascente.





Marisa Sevilha Rodrigues






MIUDEZAS DA TRAVESSIA

  Recolher o dia com suas miudezas da travessia: o que ficou na bateia e nem barro era; o brilhante falso que se esfarelou ao contato ...