segunda-feira, 22 de julho de 2019

Tabuleiro de Deus





O amor derramado nos tempos do cólera.

De que era feita a sua vontade?

Argila, cinzas, água, desespero:
subterfúgios submersos num veio escuro?
Os sonhos escapando pelos furos da peneira.

E Deus quieto, se fazendo de tonto.

Deus escondido entre as engrenagens do tempo,
trabalhando no engate das peças,
tentando dar sentido ao tabuleiro
que ele mesmo criou.

Deus, teu outro nome é ingratidão.
Destempero.
Julgamento final.


Marisa Sevilha Rodrigues 


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