"Em verdade, em
verdade, vos digo que, se o grão de trigo
que cai na terra não morrer, fica infecundo.
esticar o corpo na
lassidão da tarde
e submergir no
esquecimento;
desligar os
neurônios, pouco a pouco, de tudo o que é dor
e ainda resiste,
como memória.
entregar-se ao
balanço das águas
e deixar-se ir, no
embate com as falésias,
até o encontro com
os estuários dos rios
e seus ossuários de
peixes.
deixar-se ir, aos
pouquinhos, em doses homeopáticas
e flertar com a
morte, à espreita, sem temer a ponta escura
de seu cajado, cuja
sombra já se avista nas paredes do quarto.
não resistir aos
braços amputados do mar
e permitir-se
estrangular nos abraços das marés.
com elas,
ajoelhar-se nas praias do abandono,
em posição de
sacrifício.
lamber o sal dos
pés,
dos que já se foram,
e deixar as suas
marcas,
para os que virão.
Marisa Sevilha
Rodrigues
Oscar Freire, SP -
01/12/2017

Nenhum comentário:
Postar um comentário