Recolher o dia com suas miudezas da travessia:
o que ficou na bateia e nem barro era;
o brilhante falso que se esfarelou
ao contato dos dedos trôpegos.
Amassar o pão de todos os dias,
com o fermento crescido, às escuras,
no fundo do armário, longe da alma cristã das tias.
Recolher as tarrafas do dia:
pendurar a rede, resgatar o peixe,
dourar a lágrima do peixe, confiscar as pérolas.
Com braços atávicos de pescadores,
abrir as cortinas do dia.