"Recolher o dia com suas miudezas,
deixadas na travessia".
Patricia Claudine Hoffmann
Soltar as mãos atadas do tempo.
Abrir a tarrafa e atirá-la aos peixes azuis e voadores;
símbolos atávicos da fartura,
mas também da morte por agonia.
acender mais uma fogueira,
com os gravetos secos da discórdia.
Cobrir as costas da noite, com seu xale de mandalas;
tomar o chá de maçã delgadas;
preparar o atestado de dúvidas e contestações;
não optar entre certezas ou dogmas;
engatinhar-se para o útero da mãe
e engalfinhar-se com os irmãos, antes de seus nascimentos.
Reter o brotar das sementes, numa vã tentativa
de aniquilar toda dor vertida no mundo;
Calar o estrondo dos vulcões, sem impedir a chuva de lavas
sobre a terra;
Renovar-se na mansidão da madrugada,
quando todos os barcos apontam para o nascente.
Marisa Sevilha Rodrigues
Nasce mais um livroblog meu, cujo título já estava fervilhando na minha cabeça há uns tres anos. Depois de muito procrastinar,resolvi tirá-lo do mundo "das idéias",como dizia Platão, ou mundo do demiurgo, e trazê-lo para o mundo real, ainda que virtual. Trata-se de uma seleção de 80 poemas surrealistas, com um toque de ironia, sarcasmo e provocação. Espero que você, querido leitor, aprecie-o sem moderação.
sábado, 6 de julho de 2019
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