sábado, 6 de julho de 2019

Fogueira da discórdia

"Recolher o dia com suas miudezas,
 deixadas na travessia".

 Patricia Claudine Hoffmann







Soltar as mãos atadas do tempo.

Abrir a tarrafa e atirá-la aos peixes azuis e voadores;
símbolos atávicos da fartura,
mas também da morte por agonia.



acender mais uma fogueira,
com os gravetos secos da discórdia.

Cobrir as costas da noite, com seu xale de mandalas;
tomar o chá de maçã delgadas;
preparar o atestado de dúvidas e contestações;
não optar entre certezas ou dogmas;
engatinhar-se para o útero da mãe
e engalfinhar-se com os irmãos, antes de seus nascimentos.
Reter o brotar das sementes, numa vã tentativa
de aniquilar toda dor vertida no mundo;
Calar o estrondo dos vulcões, sem impedir a chuva de lavas
sobre a terra;

Renovar-se na mansidão da madrugada,
quando todos os barcos apontam para o nascente.





Marisa Sevilha Rodrigues






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