Aos quarenta teve a
vida devastada por um tornado
arrancou os cabelos, bebeu, xingou
e brigou até com o diabo;
exímia dançarina na corda bamba da vida
equilibrou-se nas linhas finas do rosto
e nas redondas panturrilhas;
esgotadas as lágrimas, ergueu-se do fundo do poço,
banhou-se nas águas lunares de suas memórias,
vestiu lingerie vermelha e armou-se de capa e espada;
não entregou os pontos,
arregaçou as mangas e foi à luta, guerreira de si mesma
até as portas do inferno;
comeu o pão que o capeta amassou com os chifres:
curou-se de um câncer maldito no ventre
decepou as mamas, venceu os pesadelos noturnos
e os vendavais herdados de seus ancestrais;
não cometeu nenhum crime, mas foi provada à exaustão
pelos escritores torpes do seu destino:
_ nasceu mulher para parir homens e povoar a terra.
Sacerdotisa do fogo sagrado,
mantém-se acesa no coração feminino,
Terra Deusa, deixa-se fertilizar pelo pólen das abelhas
e produz mel entre as pernas
para alimentar os seres de boa vontade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário