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| Pachamama, considerada mãe da terra, em algumas culturas da América Latina |
(Para Regina Valentim, musa inspiradora deste poema e4 de tantos outros, quando nos encontramos em Camburi - SP)
costuram estrelas nas abas do chapéu.
(Rios vestidos de luares percorrem teu corpo,
a esmo.)
A sofreguidão dos dias, arrancados a quatro mãos
dos calendários, não detém a pandemia.
As horas tristes, de joelhos, aguardam o tiro
de uma provável roleta russa.
Mãos que desenharam pergaminhos,
agora decidem entre a vida e a morte,
os velhos e os jovens,
o respiradouro e a falta dele.
Alheia a tudo que acontece ao seu redor,
Pachamama banha-se no seu jardim secreto,
faz uma sopa de grão de bico,
toca um Noturno de Choppin.
Cobre as costas nuas, com um xale antigo,
recortado na paisagem fria.
Estátuas murmuram segredos sob as pedras do outono.
No dia seguinte, tudo é ontem, outra vez:
_ lavar, passar, cozinhar, escrever, fazer pão,
cuidar do cão;
tudo é tarefa escrava e ancestral.
Acostumados à guerra fria, os homens escondem-se atrás das portas,
embaixo das mesas, nas dobradiças das janelas.
Homens não foram feitos para a roda feminina da vida.
Emperram no primeiro giro da engrenagem.
Discutem. Divagam. Conspiram.
Perdem o foco. Competem.
Matam-se uns aos

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