segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Um Poema Para Manu

 



Um Poema Para Manu 

 

Para Manoela Lima Lira Correa, nossa “Manuzinha”, in memoriam

 

Tudo é paisagem estéril até onde a vista alcança.

Montanhas cobertas com seus mantos de névoas

anunciam que não mais  haverá futuras manhãs.

A terra procura suas raízes sagradas, junto aos juncos

e suas flores inconspícuas.

 

O tempo caminha com suas vestes dobradas, numa das mãos.

E na outra, um cajado manco.

 

O tempo não mais tem pressa.

Da janela, adivinho sua lentidão.

E entendo porquê o dia não passa.

Se arrasta.

 

Agora, tudo é silêncio na casa da alegria.

 

O relógio marca a sobra das horas.

E seu constrangimento.

Não mais vozes de crianças na sala.

Só a dor do membro fantasma

teima em sua existência cruel.

 

Lágrimas encontram-se com o eco dos meus soluços.

Mas são inúteis, pois o anjo da primavera partiu,

: enrolado

em um xale de hibiscos roxos.

 

Sobre o telhado da casa,

dorme um gato,

em sua perenidade de estátua.

 

 

Morumbi, 02 de outubro de 2023, dia consagrado ao Anjo da Guarda.

 

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