Um Poema Para Manu
Para Manoela Lima Lira Correa, nossa “Manuzinha”, in
memoriam
Tudo é paisagem estéril até onde a vista alcança.
Montanhas cobertas com seus mantos de névoas
anunciam que não mais
haverá futuras manhãs.
A terra procura suas raízes sagradas, junto aos juncos
e suas flores inconspícuas.
O tempo caminha com suas vestes dobradas, numa das mãos.
E na outra, um cajado manco.
O tempo não mais tem pressa.
Da janela, adivinho sua lentidão.
E entendo porquê o dia não passa.
Se arrasta.
Agora, tudo é silêncio na casa da alegria.
O relógio marca a sobra das horas.
E seu constrangimento.
Não mais vozes de crianças na sala.
Só a dor do membro fantasma
teima em sua existência cruel.
Lágrimas encontram-se com o eco dos meus soluços.
Mas são inúteis, pois o anjo da primavera partiu,
: enrolado
em um xale de hibiscos roxos.
Sobre o telhado da casa,
dorme um gato,
em sua perenidade de estátua.
Morumbi, 02 de outubro de 2023, dia consagrado ao Anjo da
Guarda.

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