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| Imagem: Catrin Welz-Stein |
Para minha mãe Antonietta Romagnoli Rodrigues, um ano após sua morte.
um resto de mar cresce nas barras das minhas saias,
um véu caudaloso de peixes e estrelas
içam de mim, o meu barco interior.
içam de mim, o meu barco interior.
sem ilhas ou praias do abandono, sou um corpo à deriva:
de um lado, mágoas; de outro, constelações.
submarino-me para entender dos desertos e suas ampulhetas
quebradas.
Areias movediças. Peixes lânguidos.
Sereias mordiscando suas caudas ao sol do meio dia.
Tudo é miragem e se esboroa à flor do pranto.
Levanto a proa e puxo âncoras, numa vã tentativa de arrastar
junto,
os braços velejadores de quem não vejo.
Quem sabe desviar da rota um marujo torto,
vestido de solfejos.
vestido de solfejos.
De que argamassa somos feitos?
_ flores brancas do esquecimento.
Minúsculas estátuas de sal nascem no meu jardim de inverno.
E, na primavera, esperam um transplante de vasos,
para crescerem: mulheres de Lot.
para crescerem: mulheres de Lot.
Semeio esperanças. Replanto ânforas.
Assopro flautas de Bach e construo cascatas orgânicas.
Trago joelhos dobrados à beira do arrependimento.
Disfarço minha falta de fé com uma moringa d`agua
e um compêndio de discernimentos.
Na varanda dos meus seios, choro e rezo.
Pelos vales sagrados ao sul do meu púbis, planejo viagens solitárias
que nunca empreendo.
Das promessas me livro e guardo, pois o que não salva,
cedo ou tarde, sempre falha.
Na garganta de plantas carnívoras, escondo meus segredos.
Nego. Escamoteio. Renego.
De manhã, tomo café amargo e esmago formigas ciganas,
recém-chegadas ao açucareiro.
recém-chegadas ao açucareiro.
Saio para o quintal e hasteio a echarpe do que um dia foi memória
e hoje repousa no fundo do jarro:
_ flores brancas do esquecimento.
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Foi uma viagem tanto, que fiz nessas linhas! Curti muito!
ResponderExcluirQue bommmmmmmmmmmm, seja muito benvinda a bordo.
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